domingo, 9 de novembro de 2008

Esfacelado

O espelho, as marcas na face, o olho pesado e a vontade de gozar, mais uma vez, sair a noite, ir a Vieira, caminhar pelo Centro, encontrar corpos e barulhos. Copos e álcool.

Saiu.

Já era 23h, horário de pico, inúmeras pessoas, inúmeros garotos, o que procurava porém... Achava que os garotos, só os conseguiriam com dinheiro, os outros mal olhavam para ele.

“Também, 38 anos, uma barriga enorme, cabelo sem cuidado... nunca liguei para estética, para nada e ninguém. E hoje?”

Caminha, entra em um boteco e pede um conhaque, toma num gole só, pede outro, sem degustação, novamente direto para o fígado. Ao seu redor a sensação muda, o álcool sobe, resolve pegar um pó.

“um não, uns cinco”

Volta a caminhar, começar a olhar os vários michês, “quero um pauzudo, que eu sinta no fígado”. Não demora, encontra, “vamos para um hotelzinho aqui perto”, diz o garoto de programa.

Chegaram no pulgueiro, “1h, R$20”, “ta ótimo”, diz ele, paga e ruma ao quarto com o garoto. Entram, ambos não querem demora.

“quero sem camisinha”, “mais caro”, “foda-se, eu pago”

Os dois cheiraram, já estão nus, ele admirado com a virilidade do garoto e o pau em riste.

“vira seu puto”

Ele obedece, fica de quatro. Sem dó o michê enfia de uma vez só, ele grita, sente dor, era o que buscava, goza na cara dele. O serviço termina, ele fica no chão extasiado, realizado. De volta para a rua.

“não quero mais nada”

Volta para o bar, conhaque, uísque, vai pro banheiro, cheira, de - repente vê um reflexo no vidro da porta.

“eu já estive aqui”

A rua, tudo já está meio estranho, para em frente a um carro, vê alguém.

“parece comigo... já estive assim”

Bebe mais, agora compra dos ambulantes, mais barato, cheira no meio da rua.

“foda-se”

Alguns meninos passam por ele, arrumados, olham torto.

“hey...”

Diz ele.

“já fui assim”

O grupo some de vista.

“não há mais ninguém”

Pensa ele.

“um bando de estranho”

Pega outro conhaque de outro ambulante, vira o drink, tudo estranho, gira.

“eu já fui você”

Não se lembra mais, as pernas fraquejam, se apóia em alguém, o empurra, vai de cara ao chão, a calçada treme, o corpo cai esfacelado.
Por lá, muito tempo ficaria.

4 comentários:

Anônimo disse...

pesado.

Anônimo disse...

pesado.

Anônimo disse...

Nada mais original, vindo de Hailer! rsrs

Anônimo disse...

chocante mas lindo...parabéns!